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A mostrar mensagens de maio, 2020

Nouum iter 10

Continuando com Ovídio e os seus poemas do exílio. Ainda a elegia IX do Livro I Depois dos lamentos sobre o abandono dos amigos em tempos menos felizes, o poeta estabelece comparações: aspicis, ut ueniant ad candida tecta columbae,      accipiat nullas sordida turris aues. horrea formicae tendunt ad inania numquam:      nullus ad amissas ibit amicus opes.                                                                       Tristia , I, IX. Começa com uma forma verbal na 2ª pessoa do singular: —   aspicis : do verbo aspicio ou a dspicio (composto de ad + specio ) : olhar, examinar; considerar O poeta convida o leitor a considerar estes exemplos que comprovam o que ele afirmou nos versos anteriores.                considera / vê / observa ....               ut : que [ as orações que se seguem têm o verbo no modo comjuntivo: ueniant , accipiat Atente-se, então,  nos contrastes dos 4 versos: Columbae ueniant ad candida tecta                           columba, ae : pomba ...

Nouum iter 9

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Do seu exílio junto ao Mar Negro, Ovídio escreve um conjunto de poemas dirigidos à mulher e aos amigos, poemas reunidos sob o título de “Tristia”, “coisas tristes”, representando os dias de tristeza do poeta, nessa terra distante, sozinho e esquecido. Nascido em Sulmona, no ano 43 a.C., Ovídio viria a falecer em Tomos, nas costas do Mar Negro (cidade correspondente à actual Constança, na Roménia), onde chegou no ano 8 d.C., cumprindo o exílio decretado pelo imperador Augusto. O volume Tristia reúne um conjunto de poemas compostos nesses anos de exílio. Neles o poeta descreve o ambiente que o rodeia, lamenta a sua sorte, fala do abandono, da saudade de Roma, dos amigos e da família e pede que intercedam por ele para que possa regressar. No livro I,  a Elegia Nona começa assim:         Que a ti, que lês esta obra como amigo,         te seja concedido atingir sem desgostos         o termo da vida! E oxalá que para ti         possam cumprir-se os votos que para mim         os deu...

Nouum iter 8

Na sequência do post anterior, voltemos à República de Ragusa, onde, no século XIV, se estabeleceram as regras de quarentena Interessante, também, o Lema da República de Ragusa:                         Non bene pro toto libertas venditur auro   Vemos aqui a defesa de um valor universal — a LIBERDADE O  lema diz que “ a liberdade não se vende” a. Iniciada pela negativa non , a frase tem como sujeito libertas libertas — sujeito de uenditur /venditur libertas, libertatis (nome da 3ª declinação, tema em consoante – dental – t ) – veja-se o post anterior sobre a formação do nominativo sigmático uenditur — forma passiva do verbo: uendo, uendis, uendere, uendidi, uenditum   “vender” libertas non uenditur : a liberdade não é vendida / não se vende   recordar como se enuncia um verbo — dizendo: a 1ª pessoa do singular do presente do indicativo ( uendo ), a 2ª pessoa do singular do mesmo presente do indicativo ( uendis ), o infinitivo presente (uendere ), a 1ª pessoa do si...

Nouum iter 7

Quarentena e sua história A  Repúbica de Ragusa — chamada primeiro Communitas Ragusina e mais tarde Respublica Ragusina — correspondente à actual Dubrovnik, na Croácia, estabeleceu, no século XIV, um regulamento para todos os que voltavam das regiões atacadas pela peste que então assolava, nomeadamente, a vizinha Itália. Assim, elaborou um código de regras específicas com o título:   De ordinibus contra eos qui veniunt de locis pestiferis anno 1397 factis   Analisemos a frase que dá título a esse conjunto de regras:   De ordinibus ... factis  (anno 1397) —————>  contra eos                                                                                                 |  qui ueniunt                                                                                                                |  de locis pestiferis a. de ordinibus — introduz o assunto de que trata o texto temos o substantivo ordo, ordinis ( 3ª declinação, tema em consoante), no ablativo do plural de...