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VAMOS LÁ APRENDER LATIM!

Recomeçar, hoje, 26 de Junho de 2026   VAMOS LÁ APRENDER LATIM! Ab initio... quer dizer... "desde o início" Começa aqui um novo ciclo do blogue e, por isso, iremos tratar de frases simples e explicar as bases da língua latina.  Arma uirumque cano ... : canto as armas e o varão Assim começa a Eneida de Virgílio : o poeta anuncia o tema do seu poema Analisemos: — cano : eu canto — trata-se da 1.ª pessoa do presente do indicativo Enuncia-se o verbo deste modo: — cano, canis, canere, cecini, cantum : cantar, celebrar Temos aqui:   — a 1.ª pessoa do presente do indicativo : cano — a 2.ª pessoa do presente do indicativo: canis — o infinitivo presente: canĕre — a 1.ª pessoa do pretérito perfeito: cecĭni — o supino: cantum Depois de uma forma verbal na 1.ª pessoa do singular e com este verbo transitivo, espera-se um complemento (eu canto o quê?) — um complemento directo, que aqui, nesta frase está antes do verbo:    arma uirum que = arma et uirum : o -que posposto...

Carmina Burana

Os Carmina Burana são poemas, em latim, musicados pelo compositor alemão Carl Orff. Na Idade Média distante, uns boémios, os goliardos (clérigos vagabundos e estudantes), cantavam e tocavam pela noite, nas ruas das cidades, poemas normalmente em latim medieval, satíricos, amorosos, criticando a igreja e a sociedade; eram poemas contra o poder estabelecido, amaldiçoando a sorte e louvando a vida, as tabernas e o vinho, o jogo e o amor, as mulheres. Estes “poetas”  percorreram a Idade Média, eram, na sua maioria, estudantes das universidades de Espanha, de França, de Itália, de Inglaterra, da Alemanha. Eram, em geral, poemas curtos, mas também outros mais longos. Desses poemas, Carl Orff, no século XX, fez uma selecção e compôs uma cantata — os Carmina 1 Burana (apresentada em 1937, em Frankfurt) — são os Poemas de Beuern, abreviatura de Benedikt beuern , (Burana é o adjectivo em latim), uma cidade da Baviera. Nota 1: carmĭna “poemas”, plural de carmen, carmĭnis (nome neutro) - a ...

“A união faz a força”

Séneca, filósofo (c.4 a.C. – 65 d.C.), Lúcio Aneu Séneca, o Jovem (para o distinguir do pai, Séneca, o Velho, o retórico), estudou em Roma retórica e filosofia e alcançou elevada consideração como orador e como escritor, chegando a ser o preceptor do futuro imperador Nero. Deixou uma vasta obra e dela se destacam as Cartas a Lucílio , um conjunto de 124 cartas dirigidas ao seu amigo Lucílio, desenvolvendo variadíssimas questões filosóficas. Temas como a felicidade, o medo, a riqueza, a morte, a vida e os seus valores, o bem e o mal, a educação, entre muitos outros, dão-nos também a sua visão pessoal da época em que vivia. Dessas cartas podemos extrair ensinamentos para o nosso tempo, como o que está presente na frase que se segue, na qual mostra a importância da sociedade na ajuda e no equilíbrio individual — sozinhos somos fracos, unidos tornamo-nos fortes:   Societas nostra lapidum fornicationi simillima est, quae, casura nisi in uicem obstarent, hoc ipso sustinetur . Sénec...

Nouum iter 10

Continuando com Ovídio e os seus poemas do exílio. Ainda a elegia IX do Livro I Depois dos lamentos sobre o abandono dos amigos em tempos menos felizes, o poeta estabelece comparações: aspicis, ut ueniant ad candida tecta columbae,      accipiat nullas sordida turris aues. horrea formicae tendunt ad inania numquam:      nullus ad amissas ibit amicus opes.                                                                       Tristia , I, IX. Começa com uma forma verbal na 2ª pessoa do singular: —   aspicis : do verbo aspicio ou a dspicio (composto de ad + specio ) : olhar, examinar; considerar O poeta convida o leitor a considerar estes exemplos que comprovam o que ele afirmou nos versos anteriores.                considera / vê / observa ....               ut : que [ as orações que se seguem têm o verbo no modo comjuntivo: ueniant , accipiat Atente-se, então,  nos contrastes dos 4 versos: Columbae ueniant ad candida tecta                           columba, ae : pomba ...

Nouum iter 9

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Do seu exílio junto ao Mar Negro, Ovídio escreve um conjunto de poemas dirigidos à mulher e aos amigos, poemas reunidos sob o título de “Tristia”, “coisas tristes”, representando os dias de tristeza do poeta, nessa terra distante, sozinho e esquecido. Nascido em Sulmona, no ano 43 a.C., Ovídio viria a falecer em Tomos, nas costas do Mar Negro (cidade correspondente à actual Constança, na Roménia), onde chegou no ano 8 d.C., cumprindo o exílio decretado pelo imperador Augusto. O volume Tristia reúne um conjunto de poemas compostos nesses anos de exílio. Neles o poeta descreve o ambiente que o rodeia, lamenta a sua sorte, fala do abandono, da saudade de Roma, dos amigos e da família e pede que intercedam por ele para que possa regressar. No livro I,  a Elegia Nona começa assim:         Que a ti, que lês esta obra como amigo,         te seja concedido atingir sem desgostos         o termo da vida! E oxalá que para ti         possam cumprir-se os votos que para mim         os deu...

Nouum iter 8

Na sequência do post anterior, voltemos à República de Ragusa, onde, no século XIV, se estabeleceram as regras de quarentena Interessante, também, o Lema da República de Ragusa:                         Non bene pro toto libertas venditur auro   Vemos aqui a defesa de um valor universal — a LIBERDADE O  lema diz que “ a liberdade não se vende” a. Iniciada pela negativa non , a frase tem como sujeito libertas libertas — sujeito de uenditur /venditur libertas, libertatis (nome da 3ª declinação, tema em consoante – dental – t ) – veja-se o post anterior sobre a formação do nominativo sigmático uenditur — forma passiva do verbo: uendo, uendis, uendere, uendidi, uenditum   “vender” libertas non uenditur : a liberdade não é vendida / não se vende   recordar como se enuncia um verbo — dizendo: a 1ª pessoa do singular do presente do indicativo ( uendo ), a 2ª pessoa do singular do mesmo presente do indicativo ( uendis ), o infinitivo presente (uendere ), a 1ª pessoa do si...

Nouum iter 7

Quarentena e sua história A  Repúbica de Ragusa — chamada primeiro Communitas Ragusina e mais tarde Respublica Ragusina — correspondente à actual Dubrovnik, na Croácia, estabeleceu, no século XIV, um regulamento para todos os que voltavam das regiões atacadas pela peste que então assolava, nomeadamente, a vizinha Itália. Assim, elaborou um código de regras específicas com o título:   De ordinibus contra eos qui veniunt de locis pestiferis anno 1397 factis   Analisemos a frase que dá título a esse conjunto de regras:   De ordinibus ... factis  (anno 1397) —————>  contra eos                                                                                                 |  qui ueniunt                                                                                                                |  de locis pestiferis a. de ordinibus — introduz o assunto de que trata o texto temos o substantivo ordo, ordinis ( 3ª declinação, tema em consoante), no ablativo do plural de...