6ª lição — documentum sextum
Salue!
Hodie (hoje) pluuia non est. Pluuia iucunda (agradável) non est, sed benefica est. Pluuiam non amo quia (porque) per uiam ambulare (passear) non possum (não posso).
Hodie sol lucet et intrat per fenestram (janela). Solem amo et laeta (alegre, feliz) sum ubi (quando) sol refulget (brilha).
Não é preciso apresentar o significado de muitas palavras, pela sua semelhança com o português.
O texto é constituído por frases simples.
Os nomes/adjectivos femininos, como se vê pela terminação, estão:
No nominativo – com a função de sujeito: pluuia
No nominativo — com a função de predicativo do sujeito: iucunda, benefica, laeta (adjectivos)
No acusativo — com a função de complemento directo: pluuiam (frase 3)
No acusativo — com a função de complemento (lugar por onde, regido da preposição per): per uiam “pela rua”, per fenestram “pela janela/através da janela”
Temos, ainda, sol (nominativo) e solem (acusativo) que não pertencem ao mesmo tema das anteriores e que vamos deixar para mais tarde.
Atentemos na 1ª frase:
— Hodie pluuia non est : hoje não há chuva.
A forma verbal — est — é a 3ª pessoa do singular do presente do indicativo — pode traduzir-se por é, está, há, existe. O verbo significa ser, estar existir. É um verbo irregular, na sua conjugação, tal como em português.
Veja-se a semelhança:
Presente do Indicativo
sum : eu sou, estou, existo
es
est
sumus
estis
sunt
As outras formas verbais estão:
no presente do indicativo
- 1ª pessoa do singular: possum (composto de sum), amo
- 3ª pessoa do singular: lucet, intrat, refulget
no infinitivo presente : ambulare
O léxico :
pluuia /pluvia “chuva” — português: pluviosidade, pluviómetro, pluvioso
fenestra “janela” — português: fresta (por via popular); por via erudita: defenestrar, defenestração
hodie “hoje” — português: hodierno
ambulare “ir em volta”, “passear”, “caminhar” — português: ambulante, ambulatório, deambular
Do latim ao português — evolução fonética:
laeta “alegre” deu em português “leda”
—> lembremos o soneto de Camões: Aquela triste e leda madrugada
— o ditongo – ae- evolui para – e
outros exemplos: caelestis – port. celeste,
saeculum — port. século
— a consoante dental surda t, entre vogais, passa a consoante dental sonora d (sonorização)
outros exemplos: totum —> todo; vitam —> vida
Congratulo-te pela belíssima iniciativa. Suas secções "O Léxico" e "Evolução Fonética" dão-me vontade de ter aprendido Latim no ensino secundário. Continues com o óptimo projeto.
ResponderEliminarTu tens, ou algum colega tem, algo similar para a aprendizagem do Grego Clássico?
Para o grego, por enquanto, não tenho nada. Penso que há um curso de um professor brasileiro, mas agora não sei o endereço.
EliminarProfessora, sabes me informar se há ainda algum colégio que ensine grego em Portugal? E também acho necessário (se não essencial) a existência de um sítio, como esse, para o grego como forma de proteger os clássicos! Sendo o mais bem trabalhado(não podendo dizer completo, já que está ainda a construir) de todos os blogues, sítios etc. do mundo lusófono.
EliminarViva à cultura clássica!!(tão deixada de lado...)
No ano lectivo que terminou só tive conhecimento de uma escola secundária oficial que tinha turma de grego. Desconheço se há colégios particulares onde se estude grego. Há, claro, as Universidades de Coimbra e Lisboa.
EliminarAinda hei-de tentar um blog como este para o grego. Vamos ver! Quanto ao blog de latim, vou retomar depois das férias e procurar dar-lhe um novo impulso.
Acho interessante essa ideia sobre um blog de grego. Porém é muito mais útil, sem ofender seu amor pelos clássicos, um sobre a gramática portuguesa que, mesmo já existindo tantos, em sua maioria ou são desorganizados ou incompletos.
EliminarEnquanto nada ocorre, fico a estudar meu latim mesmo! :)
Acho a ideia de um sobre a língua portuguesa interessante. Mas, como disse a professora, só houve uma turma de grego no último ano letivo, e tenho certeza que muito mais pessoas(além de 15) desejem aprendê-lo. Gramática de português no mercado há aos montes, e as gregas onde estão?
EliminarConcordo plenamente com António. É muito mais oportuno para a cultura geral a produção dum blog de grego do que português, que já existem tantos...
EliminarAcho que esse blog tem como ideal à preservação dos clássicos, é necessário um de grego, sim(mesmo sendo feito por outro professor).
EliminarE outro pedido é um post dedicado especificamente para as mudanças fonéticas do latim para o português, como um gigantesco "Evolução Fonética", que seria muito interessante.
Como se chama a transformação do "AE" para "E"? E por que houve?
ResponderEliminarO ditongo -ae- já em latim começou a evoluir para -e que era pronunciado como vogal aberta ( aparece saeculum e seculum); a grafia ae era usada para transcrever o E longo grego, como em "scaena". Por vezes o facto de se escrever E em vez de AE levava a confusões, para as quais os gramáticos alertavam na altura, por exemplo confundir "aequus", igual, com equus, cavalo. Isso explica o facto de ae dar em português e.
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