23ª lição (continuação)
A partir do texto anterior, vejamos algumas questões gramaticais
Questões gramaticais
1.Há nomes que têm um significado diferente quando usados no singular ou no plural
Exemplo:
— copia, copiae : abundância ; copiae, copiarum : tropas
— ludus, ludi : jogo, divertimento ; plural ludi, ludorum: jogos públicos, representaçõs teatrais
2. Flexão verbal:
Atentemos no enunciado dos verbos:
- moneo, mones, monēre
- mitto, mittis, mittĕre
O 1º é de tema em – e : se tirarmos a terminação – re do infinitivo, fica-nos o tema monē - [ o – e é longo, é a vogal temática ]
O segundo é de tema em consoante : tirando a terminação de infinitivo, fica-nos o tema mitt -; a vogal ĕ , breve, é uma vogal de ligação
Assim:
— ao formarmos o presente do indicativo, no tema em –ē, temos sempre presente a vogal temática à qual se acrescentam as terminações pessoais:
moneo
mones
monet
monemus
monetis
monent
— nos verbos de tema em consoante, temos de interpor uma vogal de ligação entre o tema que termina em consoante e as desinências pessoais que começam por consoante:
mitto
mittis
mittit
mittimus
mittitis
mittunt
A vogal de ligação é um - i , que na 3ª pessoa do plural passa a - u, um fechamento motivado pela presença da consoante nasal - n
Exercícios
1. Extraia do texto:
a. complementos de lugar onde;
b. formas verbais no infinitivo;
c. substantivos no dativo do singular.
2. Escreva no singular:
a. Sabini Romanorum seruos audiunt et respondent.
b. Cum feminis et puellis uenire non recusamus, nam Romanos non timemus.
3. Escreva em Latim:
a. Os Romanos convidam os Sabinos com as mulheres para os jogos.
b. Os Romanos não têm mulheres e raptam as Sabinas.
c. Os Romanos amavam as mulheres Sabinas.
d. As mulheres Sabinas amavam os romanos e a sua terra.
Cornucópia — literalmente: o corno da abundância (cornu + copia)
Pra que serve uma vogal de ligação, como ela se forma e por que é especial?
ResponderEliminar1. Extraia do texto:
a. complementos de lugar onde;
in ludis, in copiis Sabinis et in Romanis copiis
b. formas verbais no infinitivo;
inuitare, recuperare, dare, pugnare, pugnare
c. substantivos no dativo do singular.
Sabinae ,
2. Escreva no singular:
a. Sabini Romanorum seruos audiunt et respondent.
Sabino Romani servum audit et respondet.
b. Cum feminis et puellis uenire non recusamus, nam Romanos non timemus.
Cum femina et puella uenire non recusamo, nam Romanum non tireo.
3. Escreva em Latim:
a. Os Romanos convidam os Sabinos com as mulheres para os jogos.
Romani Sabinos inuitant cum feminis in ludis.
b. Os Romanos não têm mulheres e raptam as Sabinas.
Romani feminas non habent et Sabinas capiunt.
c. Os Romanos amavam as mulheres Sabinas.
Romani feminas Sabinas amabant.
d. As mulheres Sabinas amavam os romanos e a sua terra.
Feminae sabinae Romanos et terras Romae amabant.
— a vogal de ligação desenvolve-se nestas formas verbais porque o tema do verbo termina em consoante e a desinência pessoal começa por consoante; então para fazer essa ligação aparece uma vogal
EliminarCorrecção dos exercícios:
1. a. CERTO
1.b. CERTO
1.c. ERRADO : Dativo : amicis (logo na 1ª frase "Romulus amicis dicit" — Rómulo dia aos amigos ; patriae ( na frase "uictoriam patriae dare cupit" — deseja dar a vitória à patria)
2. a. o sujeito plural é "Sabini", no singular é "Sabinus" ; o resto da frase está certo
2.b. os verbos estão errados — se a 1ª pessoa do singular é "recusamus", a 1ª pessoa do singular é "recuso"; 1ª do plural "timemus", 1ª do singular "timeo" — no enunciado dos verbos a 1ª forma que aparece é a 1ª pessoa do singular do presente do indicativo
3. a. "para os jogos" indica movimento — ad + acusativo "ad ludos"
3.b. CERTO
3.c. CERTO
3.d. CERTO
Muito bem, os erros são poucos. Continue
Explique-me o porquê da vogal de ligação ser E no infinitivo, mittere, ser i em outros, mittis, e eu não entendi a relação entre a transformação do I para o U por causa do N.
ResponderEliminarE o meu raciocínio está correto em: \"Escreve-se mitto sem qualquer vogal de ligação, já que a desinência é vocálica\"?
Trata-se, na realidade, de verbos de alternância de vogal temática e/o, mas cuja vogal aparece mascarada pelas alterações fonéticas sofridas em latim pelas vogais breves em sílaba interior ou em sílaba final. Assim, o "o" devia aparecer na 1ª pessoa do singular e nas 1ª e 3ª pessoas do plural; no entanto, manteve-se na 1ª pessoa do singular — lego, mitto — e com uma ligeira alteração na 3ª pessoa do plural — legunt, mittunt — que, nos textos arcaicos aparece com "o" (como acontece em grego) ; antes de - r toda a vogal breve interior tem o timbre "e" — daí o infinitivo : legere, mittere ; por outro lado, em sílaba interior aberta, a vogal "e" passou a "i".
EliminarHá outros fatores que alteram o "o" para o "u"?? Como sons diferentes de "n"?
EliminarTrata-se de um caso de apofonia em sílaba interior fechada. "O "o" passou a "u" desde o fim do século III a.C., mas manteve-se na ortografia até ao início da época imperial, quando era precedido de u (vocálico ou consonântico) para evitar a grafia ambígua (VV ou uu)" — estou a citar "Phonétique historique du latin" de M.Niedermann.
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