Carmina Burana

Os Carmina Burana são poemas, em latim, musicados pelo compositor alemão Carl Orff.

Na Idade Média distante, uns boémios, os goliardos (clérigos vagabundos e estudantes), cantavam e tocavam pela noite, nas ruas das cidades, poemas normalmente em latim medieval, satíricos, amorosos, criticando a igreja e a sociedade; eram poemas contra o poder estabelecido, amaldiçoando a sorte e louvando a vida, as tabernas e o vinho, o jogo e o amor, as mulheres. Estes “poetas”  percorreram a Idade Média, eram, na sua maioria, estudantes das universidades de Espanha, de França, de Itália, de Inglaterra, da Alemanha. Eram, em geral, poemas curtos, mas também outros mais longos.

Desses poemas, Carl Orff, no século XX, fez uma selecção e compôs uma cantata — os Carmina1 Burana (apresentada em 1937, em Frankfurt) — são os Poemas de Beuern, abreviatura de Benediktbeuern, (Burana é o adjectivo em latim), uma cidade da Baviera.

Nota 1: carmĭna “poemas”, plural de carmen, carmĭnis (nome neutro) - a penúltima sílaba é breve, logo, a sílaba acentuada é a antepenúltima – car-

O poema de abertura dirige-se à deusa FORTUNA, a Sorte.

O Fortuna
velut luna
statu variabilis,
semper crescis
aut decrescis;
vita detestabilis
nunc obdurat
et tunc curat
ludo mentis aciem,
egestatem,
potestatem
dissolvit ut glaciem.

Sors immanis
et inanis,
rota tu volubilis,
status malus,
vana salus
semper dissolubilis,
obumbrata
et velata
mihi quoque niteris;
nunc per ludum
dorsum nudum
fero tui sceleris.

Sors salutis
et virtutis
mihi nunc contraria,
est affectus
et defectus
semper in angaria.
Hac in hora
sine mora
corde pulsum tangite;
quod per sortem
sternit fortem,
mecum omnes plangite!

Ouvir: https://www.youtube.com/watch?v=6OKXZ0aF8UQ

Tradução:

Ó Fortuna
tal como a Lua
de estado variável,
tu cresces
e decresces sem cessar;
vida detestável
agora oprime
e logo  restabelece
como um jogo, da mente a agudeza,
a miséria,
o poder,
dissolve como o gelo.

Sorte cruel
e vazia,
tu, uma roda que gira,  
má condição,
vã salvação
sempre instável,
sombria
e velada
também a mim tu atinges;
agora por graça
o dorso nu
eu levo do teu infortúnio.

Sorte da saúde
e da virtude
agora para mim contrária,
é afecto

e desafecto
sempre em dívida.
Nesta hora
sem demora
tangei a corda com coragem;
porque a sorte
derruba o forte,
chorai todos comigo!

Comentários

  1. Parabéns pelo blogue!

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  2. Muito bom post! Muito obrigado!

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  3. Muito interessante! Professora, seria possível disponibilizar uma explicação sobre orações subordinadas circunstanciais temporais e causais em latim? E indicar um livro com textos simplificados temáticos sobre a cultura romana (história, religião, família, moradia, etc.)?

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