11ª lição — documentum decimum primum
Provérbios e sentenças:
- Scientia potentia est
- Fortuna caeca est.
- Fama uolat.
- Historia magistra uitae [est].
- Bestia bestiam nouit.
- Barba non facit philosophum.
- Amicus certus in re incerta cernitur.
- Natura uincit naturam, et dii deos.
Analisando as frases:
A. Frases 1, 2 e 3 — frases simples; todas as palavras estão no nominativo
Frase 1 e 2 — constituídas por sujeito e predicativo do sujeito
Frase 3 — sujeito + verbo intransitivo
B. Frase 4: ainda com verbo copulativo, que pode estar subentendido; o predicativo do sujeito vem acompanhado de um complemento determinativo — uitae — que corresponde ao genitivo
C. Frase 5 — sujeito (bestia) + verbo transitivo acompanhado do seu complemento directo (bestiam); os mesmos constituintes na frase 6
D. Frase 7 — sujeito, constituído por nome + adjectivo (amicus certus) + verbo numa forma passiva + complemento preposicional — preposição a reger ablativo (in re incerta)
E. Frase 8 — constituída por duas orações, na segunda subentende-se o mesmo verbo da primeira — natura uincit naturam + dii [uincunt] deos ; em ambas temos: sujeito + predicado (verbo transitivo + complemento directo)
Tradução:
- O conhecimento é poder.
- A fortuna (sorte) é cega.
- A fama voa.
- A história é mestra da vida.
- O animal conhece o animal.
- A barba não faz o filósofo.
- O amigo certo conhece-se no momento incerto.
- A natureza vence a natureza, os deuses [vencem] os deuses.
Recapitulando e sintetizando alguns CASOS:
Do latim ao português:
— O acusativo é chamado o caso etimológico — é do acusativo que deriva a maior parte das palavras portuguesas — do acusativo do singular, com a queda do - m final
— Comparando estes dois nomes, vemos que o acusativo do plural nos lembra a formação do plural em português, acrescentando um – s
Como fortuna, temos:
- aqua: água
- dea : deusa
- discipula: discípula, aluna
- domina: senhora
- familia: família
- magistra: mestra, professora
- natura: natureza
- puella: menina, rapariga
- scientia: ciência, conhecimento
- uita: vida
etc.
Como philosophus temos:
- deus: deus
- discipulus: aluno
- dominus : senhor
- filius: filho
- Lusitanus: lusitano, português
- Romanus: romano
etc.
Por qual motivo o acusativo é o caso etimológico, e não o nominativo? Qual foi a causa histórica?
ResponderEliminarPela análise dos vocábulos portugueses e observando a sua evolução, vemos que a maior parte deriva do acusativo latino, com algumas excepções. Por isso ele se chama Caso Etimológico, porque é o étimo (étimo é a palavra latina que deu origem à palavra portuguesa)
EliminarVejamos um exemplo. A palavra latina de onde deriva a portuguesa CARIDADE, era Caritas, Caritatis
O acusativo de caritas, caritatis é CARITATEM
Vejamos como evoluiu para o português:
caritatem —> caritate —> caridade
1º - queda do m final
2º - sonorização (a oclusiva dental surda passou a sonora) t > d
Mas, por exemplo, a palavra Deus, vem do nominativo deus ; Vénus (que em latim era Venus, Veneris) também vem do nominativo