5ª lição — documentum quintum
CARNAVAL , tempo de máscaras
Vejamos esta fábula de Fedro:
Tradução:
A raposa e a máscara de tragédia
Uma raposa vira por acaso uma máscara trágica (de tragédia):
“ Ó quanta beleza, disse, não tem cérebro!”
Isto foi dito para aqueles aos quais a fortuna concedeu honra e glória
mas tirou o senso comum.
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A RAPOSA E A MÁSCARA
Adaptação: Nicéas Romeo Zanchett
Num certo dia de verão, uma raposa passeava pelos campos e encontrou em seu caminho uma máscara de homem. Pegou-a com grande curiosidade e, examinando-a detidamente, reparou que era oca por dentro.
Ao ver isso ela não conteve o riso e disse:
— É pena que uma cabeça de rosto tão lindo não tenha miolos!
E foi-se embora rindo e julgando aquela máscara que lhe parecia tão insignificante.
Moral da história: De nada vale uma boa aparência se não tiver juízo.
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persona: máscara
gloria: glória
fortuna: fortuna, sorte
Do latim ao português
Da raiz de persona temos em português:
- pessoa (por via popular)
- personificar (por via erudita)
Enriquecimento do léxico português:
— vulpino (adjectivo) — vindo de vulpes “raposa”: próprio de raposa; diz-se de um indivíduo astuto, manhoso (como a raposa)
Evolução fonética:
Latim persona — o r foi assimilado pelo s (fenómeno de assimilação, um som torna-se igual ou semelhante a outro que lhe está próximo — daí os dois ss), o n entre vogais caiu: português —> pessoa
Belíssimo post! Muito bem planejado e construído!
ResponderEliminarE o "n" de persona, que sumiu por estar entre vogais, foi um caso especial dessa palavra? Ou a maioria dos "n"s entre vogais tenderam a desaparecer?
E atualmente qual é o melhor manual para aprender latim?
A queda de consoante intervocálica (síncope) é um fenómeno que acontece em muitas palavras. Por exemplo: planum —> port. chão : neste caso o n ao cair deixou as vibrações nasais sobre a vogal, houve ainda a palatalização do grupo pl- que deu ch; o mesmo aconteceu em "lanam", que deu "lã", com a nasalação da vogal pela consoante nasal -n-.
EliminarUm manual para estudar latim:
Isaltina Martins e Maria Teresa Freire, Noua Itinera, Ed. ASA.
Como se constata se certa palavra é de origem popular ou erudita?
ResponderEliminarAs palavras que entraram por via popular são as que sofreram uma maior evolução fonética [ o falar do povo, a "lei do menor esforço", vai deixando cair sons, transformando outros, assimilando outros... ], como é o caso da evolução de PERSONA para PESSOA: deu-se aqueda do n intervocálico e a assimilação do r pelo s ; as palavras que estão mais próximas do étimo latino, aquelas em que praticamente não houve qualquer evolução, entraram por via erudita, como, neste caso, personalizar.
EliminarTemos muitos outros exemplos de, do mesmo étimo latino entrarem na língua portuguesa palavras diferentes, umas por via popular, outras por via erudita.
Exemplos: do latim FLAMMA(M) derivou o português CHAMA (por via popular) e FLAMA (por ia erudita)
Continuo estudando por esse blog. E estou achando que eu realmente estou tendo um certo domínio da língua(pode ser um pouco, mas é o início)! Então muito obrigado!!
ResponderEliminarE poderia me indicar outras fábulas de Fedro, ou autores originais e fáceis, para eu começar a adquirir um vocabulário e entender a forma que eles escreviam? E também seria legal você analisar outro(s) trecho(s) curto(s) e original(is), como esse, mas colocando-o, depois, na ordem direta, comentando aspectos sintáticos, morfológicos, estilísticos etc. Seria de grande ajuda para qualquer um que estuda a língua.
Que blog bom de estudar. Não consigo parar. Parabéns à professora Isa.
ResponderEliminarProf.ª Isa,
ResponderEliminarObrigado pelo trabalho. Seu blog é ótimo.
Muito bom.
Bom dia. Meu nome é Mirian. Sou estudante de Letras. Encontrei esse blog recentemente e estou amando estudar nele.
ResponderEliminarParabéns pelo trabalho 👏👏