20ª lição — documentum uigesimum

 


ROMANI


 in A New Approach to Latin, I, Oliver & Boyd


Aspectos a ter em conta neste pequeno texto com imagens:


 


I. Nomes próprios: 


femininos: Valeria, Lucia, Cornelia, Iunia  [ 1ª declinação, tema em - a ]


masculinos: Gaius, Sextus, Aemilius, Valerius, Syrus, Gallus, Geta [ 2ª declinação, tema em - o, excepto Geta, ae, que, embora do género masculino,  nome de homem, é da 1ª declinação ] 


II. Quantidade vocálica: por cima de algumas vogais vemos o sinal ˉ : isso indica que a vogal é longa. Este sinal apenas se usa por questões didácticas. 


 


Notas: 


1. Em latim não há acentos gráficos.


2. Na época clássica havia acento de altura, quer dizer, a sílaba acentuada pronunciava-se com um tom mais elevado; depois passou a ser um acento de intensidade.


3. Regras de acentuação:


a. não há palavras agudas, quer dizer, nunca uma palavra é acentuada na última sílaba


b. o acento recai na penúltima ou na antepenúltima sílabas


c. nas palavras com mais de duas sílabas, para sabermos onde recai o acento (qual é a sílaba tónica) precisamos de saber a quantidade da penúltima sílaba:


    — se a penúltima sílaba é longa, é acentuada


    — se a penúltima sílaba é breve, o acento passa para a antepenúltima


 


4. Como saber se uma sílaba é longa ou breve:


a. uma sílaba longa é constituída por uma vogal longa ou por um ditongo.


   Exemplo: romanorum [esta penúltima sílaba é longa, o  - o - é a vogal temática ]; em caelum, a sílaba sublinhada é longa porque é constituída por um ditongo - ae - ;


b. uma sílaba também pode ser longa por posição — quando a vogal é seguida de duas ou mais consoantes ou de consoante dupla. Exemplo: senectus [ a sílaba sublinhada é longa por posição porque a vogal está seguida de duas consoantes ]; 


c. uma sílaba é breve quando constituída por uma vogal breve:


     — se estiver marcada com o sinal ˘ quer dizer que é breve por natureza


    — também pode ser breve por posição — vogal seguida, mas não antecedida de vogal, é breve. Exemplo: Antonius [ a penúltima sílaba, - ni - é breve porque a vogal está seguida de vogal — logo, a sílaba acentuada é a antepenúltima, - to -


 


d. Como saber sempre a quantidade das vogais?


— com o tempo, aprendendo regras gramaticais


— com a ajuda do dicionário


 


III. Complemento de lugar onde: in + ablativo — in Italia, in villa, in fluvio, in via, in horto


 


IV. Vocabulário:


   - uilla, ae : casa de campo


   - uia, ae : rua


   - hortus, i : jardim


   - fluuius, i : rio


   - ager, agri : campo


   - natare : nadar


   - sedere : sentar-se


   - laborare : trabalhar


 


V. Do latim ao português — palavras portuguesas relacionadas, pela etimologia, com as palavras latinas:


    — com via : viaduto, viação, viário [a rede viária]


    — com hortus : hortícola [produtos hortícolas]


    — com fluvius : fluvial


    — com ager : agrícola, agricultura


    — com natare : natação


    — com laborare : laboral, laboratório


    

Comentários

  1. A maioria das palavras pertencem apenas a primeira ou a segunda declinação? E no caso de "femina", o "E" é acentuado, mas não sei a quantidade de "I", como saberia, se a palavra tiver esse acento, porém não o outro??

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    1. Neste texto todas as palavras pertencem à 1ª e à 2ª declinações.
      Em "femina", o texto, que é cópia do livro indicado, tem a indicação da quantidade do E da antepenúltima sílaba, mas o que realmente interessava para a acentuação era indicar a quantidade da penúltima — MI - e, neste caso, este I é breve, logo o acento recai sobre a antepenúltima. Leitura FÉMINA ( pus o acento gráfico, que o latim não tinha, para indicar que a acentuação recai sobre essa sílaba).
      Atenção: como disse acima, o latim não tem acentos, as palavras não são acentuadas graficamente, mas, claro, há uma sílaba tónica, aquela sobre a qual recai a acentuação, isto é, a que é pronunciada com mais intensidade; esses sinais de breve e longa são apenas indicações didácticas, que os dicionários também nos dão, para, aplicando as regras que enunciei, se saber como pronunciar.
      O problema, aqui no computador, é, por vezes, colocar esses sinais de breve e de longa em cima das vogais. Vou tentar: femĭna ; natāre

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  2. Quero parabenizar-te, primeiro, pela tua ação na criação desse blog e, segundo, pela difusão do conhecimento das línguas clássicas, tão ignoradas neste nosso país... Desejo que nosso governo considere reintroduzir, REALMENTE, o latim no futuro, mesmo sabendo que isso dificilmente ocorrerá...
    E não desista desse maravilhoso trabalho, sim vi que, aos poucos, estás a parar de atualizá-lo, já que ele auxiliará ainda, em muito, nossa juventude!!
    Tens algum projeto para a língua grega clássica ou a própria portuguesa pós-AO?

    Um amador do latim( em ambos os sentidos)

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    1. Obrigada pelo incentivo. Não parei de o actualizar, às vezes faço um intervalo mais longo, mas regresso.
      Em relação ao grego, não tenho, para já, nenhum projecto, pode ser que um dia me resolva.

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    2. Mas conheces algum sítio que ensina o grego da mesma forma que tu ensinas o latim? Ou parecido?

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    3. Eu já encontrei na net um site de um professor brasileiro, não guardei i endereço e também não sei dizer se é bom ou não.

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  3. Uma curiosidade. Já notei que é raro (que é como quem diz não me lembro de alguma vez ter visto) ter uma frase com um sujeito composto em que um grupo nominal é feminino e ou outro masculino. Como é que nesta situação se lidava com a necessidade de concordância do adjectivo?

    Paulus Lusitanus est. Paula Lusitana est.
    Paulus et Paula ... sunt.

    Ficaria Lusitani (seguindo a lógica do português em que o masculino engloba masculino e feminino), ficaria Lusitana (que simpaticamente evitaria a predominância de um género sobre o outro), ou ficaria Lusitanae (por ser o género do nome mais próximo do adjectivo)?

    Obrigada.

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    1. Sim, nesses casos a concordância faz-se com o masculino.
      A regra é:
      - quando se refere a dois substantivos de géneros diferentes, seres animados, o adjectivo vai para o masculino.
      - quando se refere a dois substantivos de géneros diferentes, que designam seres inanimados ou conceitos abstractos, o adjectivo vai para o género neutro
      Assim:
      Paula et Paulus lusitani sunt.
      Lupus et lupa sunt saeui.

      Pratum et hortus sunt pulchra.

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    2. Gratias tibi ago.
      Vale!

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  4. Vinícius Resende Bueno25 de outubro de 2022 às 23:26

    Muito muito obrigado pela postagem. Estava em dúvida sobre como pronunciaria o gênero botânico que estudo:

    Calea


    Pelo que li, o certo seria cá-le-a. Correto?

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